António Raminhos abre o coração: ‘Há dias em que só quero desaparecer…’

António Raminhos voltou a abordar o tema da saúde mental, esta sexta-feira, 6 de março, através de uma partilha nas redes sociais. O comediante, conhecido pela abertura com que fala sobre temas emocionais, revelou que, em certos momentos, sente vontade de deixar tudo para trás e desaparecer “no anonimato”.
Durante o seu desabafo, o artista escreveu que “há dias em que simplesmente me apetece largar todos os projetos e seguir uma vida no anonimato. Dias em que sinto que não há reconhecimento, que não há impacto, que não há interesse”. O próprio acrescenta ainda que exerce “uma profissão que se baseia nesse feedback”, o que torna o processo mais exigente emocionalmente.
António Raminhos reconhece que vive fases de autocobrança intensa: “Há dias em que o síndrome do impostor ataca em força e me diz que os outros são muito melhores, que eles sim brilham, são bons, que estão em altas…”. Apesar disso, acredita que o verdadeiro sentido do seu trabalho passa por gerar impacto em quem o acompanha: “Para mim fazer o que faço, seja na comédia ou mais a sério, tem de ter impacto nas pessoas. É daí que vem o meu «propósito», o meu gozo, por assim dizer. Mas será que tem? Será que traz leveza?”.
Na mesma publicação, António Raminho mencionou também as dificuldades de manter a motivação: “Não acredito, como é óbvio que mude vidas, o meu ego não é assim tão grande! Mas se puder trazer um sorriso ou uma reflexão… já é bom!”. Raminhos confessou ainda quantas vezes pensou em desistir do projeto: “Mas parece, ou pode ser só na minha cabeça, que a maior parte das vezes ninguém quer saber. O interesse está na polémica, na má língua, na raiva, na divisão”. E mesmo com o sucesso dos espetáculos — “O solo «Volto Já» tem tido salas esgotadas e muitas mensagens que me aquecem o coração” — o humorista admite que “há sempre aquela voz lá no fundo de que estão erradas e que sou uma fraude”. O desabafo terminou com a frase: “Não fica fácil lidar com estas vozes, mas temos de seguir”.







