Entre o poder e o coração: a ascensão de André Ventura cobra um preço alto a Dina Nunes

A noite eleitoral que consagrou André Ventura como um dos grandes vencedores das Legislativas trouxe consigo um brilho inegável — mas também revelou o lado mais sombrio dessa mesma ascensão. Com 58 deputados eleitos e um resultado histórico para o Chega, o líder partidário transbordava de euforia. Contudo, por detrás do sorriso vitorioso estava uma realidade menos visível: o impacto profundo que esta vida política intensa tem provocado no quotidiano da sua mulher, Dina Nunes. A fisioterapeuta, que antes acompanhava o marido em diversos momentos públicos, viu a sua vida virar do avesso com a escalada da exposição, das ameaças e das exigências de segurança.
Nos bastidores desta vitória, Dina enfrenta um dilema emocional que poucos conhecem. Se no início surgia ao lado do marido como uma parceira ativa de campanha, hoje aparece apenas em ocasiões excecionais, como a noite eleitoral. O aumento das ameaças que recaem sobre Ventura obrigou o casal a reforçar a segurança pessoal, limitando a liberdade e a rotina de Dina. Segundo pessoas próximas, como Sandra Matias, amiga da fisioterapeuta, esta afastou-se do mediatismo para proteger a sua estabilidade e evitar que a vida pessoal fosse constantemente afetada pelos riscos associados à política.
A transformação na vida de Ventura também trouxe consequências profundas para os seus planos familiares. O político, que antes partilhava férias, momentos descontraídos com Dina e até fotos da coelha Acácia, já admitiu que as condições de segurança que hoje o acompanham o fazem repensar a possibilidade de ter filhos. Apesar de não ter desistido do sonho da paternidade, Ventura confessa que teme não conseguir garantir a segurança mínima a uma família. Em declarações no programa Casa Feliz, mostrou-se dividido entre o desejo de ser pai e a consciência de que a vida política poderá não permitir que seja um progenitor presente.
Esse conflito emocional intensificou-se quando, numa conversa marcante com Manuel Luís Goucha, Ventura revelou ter falhado momentos essenciais junto dos avós, que descreve como pilares da sua vida. A morte de ambos, num período em que estava em campanha e incapaz de estar presente nos funerais, fez o político repensar profundamente o seu papel familiar. A culpa, a distância e a agenda frenética deixaram marcas visíveis. Aos 42 anos, admite que só avançaria para a paternidade se sentisse que conseguiria ser melhor pai do que foi neto, numa reflexão que mistura ambição política com fragilidade humana — e que deixa Dina numa posição de sacrificar sonhos pessoais por amor.







