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Bad Bunny INCENDIA o Super Bowl LX com baile histórico e declara amor eterno a Porto Rico

Num país onde a “imigração” se tornou a palavra de ordem do último ano, o sangue latino e fervilhante de Bad Bunny rompeu fronteiras, uniu nações e transformou os Estados Unidos (e não só) num autêntico “baile inolvidable”. O artista porto-riquenho, que atuou no halftime show do Super Bowl LX, voltou a provar que a cultura não conhece muros: espalha-se, mistura-se e conquista públicos de todas as línguas e feitios.

Durante cerca de 13 minutos, o relvado do Levi’s Stadium, onde os Seattle Seahawks derrotaram os New England Patriots e conquistaram o seu segundo título foi palco daquela que já é apontada como uma “atuação histórica” na memória do halftime show e da comunidade latina e totalmente em espanhol.

Uma carta de amor a Porto Rico

O seu último álbum, “Debí Tirar Más Fotos”, lançado em janeiro do ano passado e concebido como uma verdadeira declaração de amor sonora a Porto Rico, serviu de ponto de partida para aquela que seria a sua primeira atuação a solo no Super Bowl.

Inspirado na sua mais recente residência artística, “No Me Quiero Ir de Aquí”, criada na sua terra natal, o cenário principal da atuação evocava uma autêntica aldeia porto‑riquenha, envolvida pelas paisagens típicas da ilha caribenha: uma longa e vasta plantação de cana‑de‑açúcar.

A cenografia não era apenas decorativa, era narrativa. À medida que avançava por aquele labirinto, ao som de “Tití Me Preguntó”, Bad Bunny foi-se cruzando com várias figuras emblemáticas do quotidiano porto‑riquenho: “jíbaros de pavas” (agricultores tradicionais com chapéus de palha), vendedores ambulantes de água de coco e tacos, idosos concentrados num jogo de dominó a jovens pugilistas a treinar.

Temas como “Yo Perreo Sola”, “Safaera” e “Party” levaram o artista de 31 anos até à icónica “La Casita”, símbolo da sua residência artística em Porto Rico, peça central do espetáculo.

Um ponto de encontro para várias celebridades com quem Bad Bunny já colaborou ou que partilham raízes latinas como Cardi B, Karol G e Young Miko, o ator Pedro Pascal e a atriz Jessica Alba.

Uma verdadeira telenovela caribenha

A interpretação de “Monaco”, acompanhada por orquestra, marcou um dos momentos mais inesperados da noite. Durante a atuação, foi celebrado um casamento real em palco, perante uma audiência mundial estimada em mais de 100 milhões de espectadores.

A cerimónia contou com a participação especial de Lady Gaga, que assumiu o papel de madrinha, envergando um vestido adornado com a maga, flor nacional de Porto Rico. A artista interpretou uma versão salsa de “Die With a Smile”, tema originalmente gravado em colaboração com Bruno Mars, acompanhada pela banda de salsa Los Sobrinos.

Do outro lado do cenário, que reproduzia a capa do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, encontrava-se Ricky Martin, também ele porto-riquenho. O cantor juntou-se a Bad Bunny para uma interpretação conjunta de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, num momento que reuniu duas gerações distintas e simbolizou a continuidade da história musical de Porto Rico.

Um grito de revolta e o orgulho porto‑riquenho

A certo ponto da atuação, o discurso de aceitação do Grammy de “Álbum do Ano” é exibido numa pequena televisão integrada no cenário.

Perante o ecrã surgiu um rapaz que, segundo a Variety, pode ser uma referência à história de Liam Ramos, a criança de cinco anos detida pelo ICE em Minneapolis no mês passado. Num gesto carregado de simbolismo, Bad Bunny aproximou‑se e colocou o seu Grammy nas mãos do menino.

A atuação assumiu também um forte tom político e social com “El Apagón”, numa referência ao furacão Maria e aos sucessivos apagões em Porto Rico, ilustrada por elementos visuais que simbolizavam a fragilidade da rede eléctrica da ilha.

Bad Bunny encerrou a atuação com uma mensagem clara de identidade e união. No palco, lembrou a diversidade do continente americano, enumerando países como Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, além dos Estados Unidos e do Canadá.

A única vez que falou em inglês foi para dizer a frase “Deus abençoe a América”, destacando que América não se limita aos EUA, mas engloba todo o continente.

O momento mais emotivo aconteceu quando reafirmou a ligação à sua terra natal: “E a minha pátria, Porto Rico, seguimos aqui”. Atrás do artista, um ecrã projetou a frase “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”, ecoando um dos seus discursos nos Grammy da semana passada.

A performance terminou ao som de “DtMF”, acompanhada por músicos com güiros e pandeiretas, instrumentos tradicionais de Porto Rico, encerrando o espetáculo com uma combinação de música, cultura e simbolismo político.

A “Debí Tirar Más Fotos World Tour” chega a Portugal nos dias 26 e 27 de maio deste ano, com dois concertos agendados para o Estádio da Luz. Ambos os espetáculos encontram‑se totalmente esgotados.

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