“Não é contagioso, o navio está seguro”: capitão acalma passageiros após morte de infetado a bordo

“É com grande pesar que tenho o dever de informar que um dos nossos passageiros faleceu repentinamente ontem à noite (…) Acreditamos que tenha sido por causas naturais”, disse o capitão do navio.
“O médico informou-me que não é contagioso, pelo que o navio está seguro”, disse ainda Jan Dobrogowski.
O momento aconteceu a 12 de abril, um dia após a morte do primeiro passageiro infetado por hantavírus. De relembrar que, de acordo com a Reuters, o corpo do homem holandês permaneceu a bordo durante 13 dias, até 24 de abril, data em que foi desembarcado em Santa Helena para ser repatriado.
O vídeo foi gravado pelo youtuber e blogger de viagens turco Ruhi Çenet. O passageiro conta que não houve quaisquer informações sobre o vírus detetado e que a vida a bordo continuou conforme a “rotina”, com as refeições, atividades e palestras a prosseguirem normalmente, sem quaisquer cuidados de segurança.
“As pessoas não usavam máscaras”, conta Ruhi Çenet, acrescentando que o comunicado do capitão “tranquilizou”, mas também “induziu em erro”.
Na quarta-feira, o passageiro Kasem Ibn Hattuta publicou um vídeo nas redes sociais a relatar que a maioria das pessoas a bordo reagiu com “muita calma” às infeções da síndrome respiratório aguda.
“Este vírus não é um vírus novo para o mundo. Se fosse para ser uma pandemia, já teria acontecido há muito tempo, mas o que está a acontecer agora é que os meios de comunicação estão a exagerar”, defende o passageiro.
Do infetado na Suíça às suspeitas de hantavírus nos EUA
Ao final da tarde de quarta-feira, aterrou em Amesterdão, nos Países Baixos, um avião com dois passageiros infetados com hantavírus. A informação foi avançada pela imprensa internacional, que cita um comunicado da Oceanwide, empresa responsável pelo cruzeiro onde o vírus foi detetado.
Segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros holandês, estes doentes apresentavam sintomas “agudos” e foram diretamente encaminhados para o hospital.
Até ao momento, há três pessoas a ser monitorizadas nos Estados Unidos por suspeitas de hantavírus. De acordo com o New York Times, vivem na Geórgia, no Arizona e na Califórnia e todos estiveram a bordo do navio cruzeiro. Por agora, sabe-se que estão bem e não apresentam sintomas.
A Agência de Serviços de Saúde do Reino Unido (UKHSA), adiantou, na quarta-feira, que duas pessoas que regressaram ao Reino Unido depois de estarem no navio de cruzeiro, foram instruídas a auto isolarem-se.
Em França, um cidadão francês foi identificado como caso de contacto após estar a bordo do mesmo voo que a mulher neerlandesa infetada por hantavírus.
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há suspeita de que, até quarta-feira, um total de oito pessoas — incluindo um cidadão suíço que regressou ao seu país e está a receber tratamento em Zurique — tenham contraído o vírus, tendo três desses casos sido confirmados por análises laboratoriais.
O MV Hondius, a bordo do qual o surto começou, leva 144 pessoas a bordo, sem sintomas, e estava ao largo da costa de Cabo Verde na quarta-feira, a caminho das Canárias, em Espanha, onde deverá chegar no sábado, segundo fontes de Madrid.
A evacuação dos passageiros do navio de cruzeiro está prevista começar na segunda-feira, anunciou na quarta-feira o Ministério do Interior espanhol.




