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Silêncio Quebrado em Direto! Revelação Chocante Sobre Alegada Violação Coletiva Abala Jornal da Noite

Cristina Ferreira tem estado, há vários dias, no olho do furacão. Em causa estão as polémicas declarações da apresentadora durante a Crónica Criminal, do Dois às 10 sobre uma uma jovem de 16 anos violada por quatro rapazes em Loures.

“Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que têm de ouvir, mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais?'”, foram as exatas palavras do rosto da TVI.

Perante a avalanche de críticas, a estação de Queluz de Baixo viu-se na obrigação de se posicionar e defender a sua estrela. “Não pode a TVI ficar indiferente à controvérsia gerada a propósito do caso de violação que foi debatido no programa ‘Dois às 10’, de ontem. Uma pergunta formulada por Cristina Ferreira aos comentadores da Crónica Criminal, acerca do assunto, desencadeou um coro de críticas, com particular repercussão nas redes sociais”, começou por dizer a estação em comunicado.

“Lamenta-se a forma, o tom, a descontextualização e a manipulação grosseira com que as palavras da apresentadora estão a ser interpretadas e disseminadas”, pode ler-se. “Em nenhuma circunstância, a TVI, e naturalmente Cristina Ferreira, concordaria com a banalização de um qualquer crime e muito menos, o incentivaria ou desvalorizaria. Violações ou sexo sem consentimento só podem ser objeto de repulsa e de condenação”.

Nesta terça-feira, 21 de abril, Cristina Ferreira esteve no Jornal Nacional, numa presença anunciada com pompa e circunstância nas redes sociais da TVI. “Não foi um comentário, foi uma pergunta dirigida a uma comentadora do painel que tínhamos escolhido para estar naquele dia”, começou por dizer.

Depois, dizer que estou bem. Há várias pessoas que me têm feito essa pergunta nos últimos dias. Quero dizer-lhe isso mesmo, que estou bem”, prosseguiu. “Eu sei que não o fiz com a intenção com que ele foi interpretado. Não é aquilo que eu penso. Nestes vintes anos fiz milhares de perguntas sobre temas similares, aliás, já o tínhamos comentado no mesmo espaço no dia em que soubémos”, explicou.

“O que é certo é que nestes vinte anos permiti-me estudar, ler e ouvir tudo aquilo que me foram dizendo dentro dos profissionais, seja da Polícia Judiciária, de psicologia, psicologia forense, advocacia que escolhémos para aquele espaço. Já o fazia com o Manel no Você na TV, onde iniciámos este espaço de debate”, acresentou.

“Naquele espaço voltámos a comentar este assunto e voltámos a fazê-lo, eu e o Cláudio, de uma forma que entendemos que deve ser feita. Cada um de nós faz as perguntas que entende perante os comentadores que temos ali à frente. Nós já levavámos a conversa com oito ou nove minutos e a posição era clara, de que lado estávamos; aliás, não poderia ser outra”, atira a apresentadora.

“Naquele momento senti que seria necessário que a psicóloga nos explicasse o que passa na cabeça daqueles jovens quando ouvem um ‘não’. O ‘não é não, ponto. O ‘não’ não existe numa violação”, sublinha.

Apesar de considerar que não se equivocou no uso de certas palavras, Cristina admite que “se tivesse escrito ou preparado de outra forma, não seriam aquelas as palavras que usaria”. “Poderia ter escolhido outra formulação de pergunta. Estamos num espaço de direto…”, justificou. “Eu quero perceber quando um violador ouviu um ‘não’ porque é que não cumpre”.

Ao longo da conversa, Cristina Ferreira direcionou o discursos a “colegas de profissão”, nunca mencionando diretamente o nome de Catarina Furtado, mas restam poucas dúvidas de que seria a principal destinatária, já que não poupou nas críticas ao rosto da TVI.

“A frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC, foi dita por uma colega que tem a mesma profissão que eu, Cristina Ferreira. Embora com estilos, posturas e escolhas profissionais distintas, partilhamos a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas”, disse o rosto da RTP.

“Errar em direto acontece, já errei muitas vezes. Pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção, para a pessoa, para a estação. Mas o que considero importante sublinhar é que o que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe de facto a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta”, explicou de seguida.

“Não é intencional, é estrutural. Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres, que se dizem não feministas, e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género, e em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera (machosfera)”, acrescentou.

Cristina Ferreira lamentou os ataques de certos colegas. “Haver esse julgamento por parte de colegas meus que decidiram fazer os seus posts, dizendo aquilo que achavam de mim, do meu caráter. Confesso que achei assustador. Primeiro: muitos deles não convivem comigo, não sabem quem eu sou; muitos deles não vêm o meu trabalho diariamente. Depois, não posso proclamar a empatia quando uma pessoa que quer escrever e julgar-me desta forma não pega no telefone e me diz”, atirou.

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